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Pentest: O Caminho Realista Para Quem Está Começando

Pentest: O Caminho Realista Para Quem Está Começando

Atualizado em agosto de 2026. Reescrevi boa parte deste texto porque o cenário mudou bastante desde a primeira versão: o HTB Academy trocou o modelo de assinatura inteiro, certificações foram renomeadas, e os preços de quase tudo subiram. Os valores citados aqui valem para agosto de 2026, então confira sempre a fonte antes de comprar.

I. INTRODUÇÃO

Este guia reúne opiniões e sugestões pessoais sobre a melhor forma de iniciar e evoluir na área de Pentest, com foco nas particularidades do mercado brasileiro. As recomendações foram elaboradas considerando o cenário local, levando em conta a disponibilidade de recursos, a formação técnica e as oportunidades existentes no Brasil.

O objetivo é ajudar amigos e interessados que desejam migrar ou começar na área de cibersegurança, destacando pontos que considero essenciais para uma transição eficaz e para o desenvolvimento de habilidades indispensáveis no campo de Red Team.

Nota: Pentest e Red Team não são a mesma coisa. Embora sejam áreas complementares, não devem ser jogadas no mesmo saco. No entanto, para facilitar a compreensão ao longo do texto, vou tratá-las de forma similar.

TL;DR

Se você só quer as três coisas que economizam dinheiro de verdade pra quem tá no Brasil:

  1. PortSwigger Academy é gratuita. Conteúdo e labs de web pentesting, do básico ao avançado, sem pagar nada. É a minha principal referência para ataques web e não custa um centavo. https://portswigger.net/web-security
  2. Se você é estudante, o HTB Academy custa 8 USD/mês. Basta adicionar seu e-mail institucional como secundário na conta. Isso libera os paths Penetration Tester e Web Penetration Tester completos, que é exatamente a base que você precisa. Vale pra universidade, escola técnica e afins.
  3. A CRTO aplica Purchasing Power Parity. O preço de tabela do bundle assusta, mas com o ajuste de PPP o valor pro Brasil cai muito. Não descarte a cert olhando só o preço em dólar no site.

Agora, isso é um TL;DR, não um guia. São três atalhos de custo, não um caminho de aprendizado. Se você realmente quer entender por onde começar, o que estudar primeiro, quais certificações valem o esforço e quais são conversa de vendedor, lê o texto inteiro. É pra isso que ele existe.

II. ÁREAS DE APRENDIZADO

Normalmente, os profissionais que ingressam na área de Pentesting já atuaram em outras vertentes da segurança ou em setores como administração de sistemas, desenvolvimento ou operações de rede. Essa bagagem prévia facilita bastante a transição para uma função altamente especializada.

De forma geral, essa frente pode ser dividida em duas grandes áreas iniciais:

  • Pentest de Web: Focado na avaliação de aplicações web, APIs e ambientes em nuvem, com o objetivo de identificar vulnerabilidades em sistemas expostos à internet.

  • Pentest de Redes: Voltado para a análise e exploração de infraestruturas internas, como Active Directory, servidores e sistemas operacionais (incluindo Linux), com o intuito de mapear e testar a segurança de redes corporativas.

Além disso, dentro do universo de Pentesting/Red Team, existem áreas ainda mais avançadas, como desenvolvimento de malware, mobile pentesting e operações específicas de Red Team (Red Team Operations). No entanto, para quem está começando, faz muito mais sentido consolidar primeiro os fundamentos antes de se aventurar em especializações mais complexas.

Este guia pretende ser um ponto de partida prático e adaptado à realidade brasileira, ajudando na construção de uma base consistente para sua evolução na área de Pentest/Red Team.

III. POR ONDE COMEÇAR?

Exceto em casos raros e específicos, geralmente associados a um perfil autodidata, habilidades excepcionais e até um pouco de sorte, entrar de cabeça no Pentest não é uma tarefa barata, embora não precise ser necessariamente cara. Existem alternativas mais acessíveis, como a PortSwigger Academy, que oferece ótimos recursos para aprender ataques web. Contudo, essas opções ainda são exceções. Devido à natureza prática dos laboratórios de aprendizado e ao grau técnico dos treinamentos, a maior parte dos cursos e laboratórios pagos acabam tendo um custo significativo.

Além disso, vale destacar que, embora as certificações não sejam essenciais para iniciar na área, elas possuem grande valor de mercado. O problema é que muitas vezes os preços também são elevados. Eu, pessoalmente, me incomodo com os altos custos, principalmente considerando o contexto brasileiro. Por isso, o objetivo deste guia é apresentar um equilíbrio entre opções que cabem no orçamento e aquelas que exigem investimento maior, mas que podem acelerar o desenvolvimento na área de Pentest/Red Team de forma acessível e eficiente.

Vamos ao que interessa

Na minha opinião, um pentester iniciante deve, no mínimo, ter domínio básico de ataques em Web e Redes. No entanto, tentar aprender tudo ao mesmo tempo no início da jornada não é o caminho mais eficiente para dominar ambas as áreas.

Historicamente, as opções eram:

  • Grindar certificações com cursos específicos.
  • Quebrar a cabeça em CTFs como HackTheBox e plataformas similares.
  • Filtrar conteúdos técnicos dispersos pela internet.

Até pouco tempo, essa área era extremamente inacessível (e de certa forma, ainda é). Mas felizmente, isso mudou bastante nos últimos anos.

Minha recomendação continua sendo a mesma: invista na HackTheBox Academy. 👉 https://academy.hackthebox.com/

Sei que pode parecer reducionista recomendar sempre o mesmo caminho para iniciantes, e eu sei que cada caso é único. Ainda assim, o HTB Academy oferece uma das opções com melhor custo-benefício para quem quer aprender o básico de web e de redes, desde que você entenda como o modelo de assinatura funciona hoje, o que mudou bastante.

A plataforma organiza os treinamentos em job role paths, e os dois que interessam para quem está começando são:

  • Penetration Tester (redes, AD, infra)
  • Web Penetration Tester (web e API)

Mudança importante: o path que antes se chamava Bug Bounty Hunter virou Web Penetration Tester em outubro de 2025, e a certificação correspondente deixou de ser CBBH e passou a ser CWES (Certified Web Exploitation Specialist). Se você tinha a CBBH, ela foi migrada automaticamente. O conteúdo é praticamente o mesmo, com alguns módulos novos.

O novo modelo de assinatura (leia isso antes de comprar)

O HTB Academy passou por uma reformulação e hoje existem dois modelos diferentes de assinatura, o que confunde muita gente:

  • Cube-based (mensal): você paga por mês e recebe uma cota de cubes para desbloquear módulos individuais. O módulo desbloqueado é seu para sempre, mesmo se você cancelar. Os planos são Silver (18 USD/mês, 200 cubes), Gold (38 USD/mês, 500 cubes) e Platinum (68 USD/mês, 1000 cubes).

  • Access-based (anual ou estudante): você tem acesso liberado a todo o conteúdo até um determinado Tier, enquanto a assinatura estiver ativa. Silver Annual (490 USD/ano) libera até o Tier II, o que inclui os paths Penetration Tester e Web Penetration Tester completos, além de um voucher de exame por ano. Gold Annual (1260 USD/ano) vai até o Tier III e inclui os paths avançados de AD e web sênior.

E aqui está a parte que realmente importa para o público brasileiro: o plano estudante continua custando 8 USD/mês e dá acesso a tudo até o Tier II, ou seja, exatamente os dois paths que você precisa. Não precisa trocar o e-mail da conta, basta adicionar o e-mail institucional como secundário. Vale para universidade, escola técnica e afins.

Se você é estudante, essa continua sendo disparado a melhor relação custo-benefício da indústria inteira. Se você não é, o negócio ficou consideravelmente mais caro e mais confuso do que era, e vale sentar e fazer a conta antes de assinar. Na dúvida, o plano anual costuma sair melhor do que acumular cubes mês a mês.

O conteúdo é todo em inglês, e a abordagem é altamente prática: após cada questão, você acessa um laboratório para aplicar o que foi ensinado, e ao final de cada módulo há um lab final que testa todo o conteúdo aprendido. Essa combinação de teoria + prática é, na minha visão, a forma mais eficaz de aprender.

Minha recomendação pessoal é começar pelo Penetration Tester, já que uma parte considerável do Web Pentest depende de conceitos abordados nele. De qualquer forma, recomendo fortemente fazer os dois paths.

O ideal é grindar as questões do caminho escolhido e, em paralelo, utilizar uma boa ferramenta de notetaking, no meu caso, uso o Obsidian. Essa prática é essencial para consolidar o aprendizado. Ter um repositório organizado de notas permite absorver melhor os conteúdos e revisitá-los sempre que necessário. Meu método é simples: anoto tudo o que considero relevante em cada módulo e, em seguida, faço um refino, destacando apenas o que realmente importa. Esse processo não só solidifica o conhecimento, como também cria uma referência pessoal valiosa para consultas futuras.

Passando dessa etapa, você pode solidificar seus conhecimentos explorando máquinas variadas no HackTheBox Labs (assinatura separada da Academy, o VIP+ sai por 25 USD/mês ou 223 USD/ano). Inclusive, os próprios módulos do Academy já fazem referência a boxes relacionadas. Outra opção é o TryHackMe, embora eu, pessoalmente, não curta tanto.

Agora, se o foco for ataques em Web Pentesting, minha recomendação é direta: PortSwigger Academy. Eles são minha principal referência para estudo de ataques web, e a plataforma segue um modelo semelhante ao HTB Academy, combinando conteúdo técnico com labs práticos. A diferença é que é 100% gratuito.

Mesmo que você já conheça um ataque, vale a pena conferir os insights da PortSwigger. Sempre aparece algum detalhe útil. Mas o verdadeiro ouro está nos labs: bem estruturados, cobrindo desde o básico até técnicas avançadas, forçando você a aplicar o conhecimento de forma prática. Se o objetivo é aprender web pentesting a fundo, essa é uma das melhores ferramentas disponíveis.

Depois de passar por essa fase inicial, que eu sei que é exaustiva, exigente e muitas vezes frustrante (essa área realmente demanda tempo e esforço, it is what it is), você já terá uma visão mais clara sobre o que curte, o que não curte e em que deseja se aprofundar.


Esse guia, se é que dá pra chamar assim, é apenas uma tentativa de dar um empurrão inicial, ajudando você a arranhar a superfície da área. O restante virá com o tempo, prática, tropeços e vivência. Então se jogue: participe da comunidade, faça amigos e conexões, troque ideia nos Discords da vida, esteja presente. Aprender com os outros e junto com os outros faz toda a diferença.

IV. CERTIFICADOS & CERTIFICAÇÕES

Se você está começando na área, ou mesmo se já tem alguma vivência, é bem provável (tipo, 95% de certeza) que já tenha esbarrado em algum vídeo no YouTube ou post no LinkedIn falando sobre certificados e certificações. E aqui vai uma opinião que pode não ser a mais popular: a área de cybersec no Brasil (e no mundo também, mas aqui é especialmente frustrante) está lotada de vendedores de sonho e influencers que apontam caminhos duvidosos, muitas vezes porque estão sendo pagos pra isso.

Por isso, quero ser rápido e direto sobre certificações, e principalmente compartilhar minha opinião sincera sobre algumas delas. Vou comentar apenas as que eu já fiz, acompanhei de perto amigos fazendo, ou com as quais tive contato real. No fim, este texto é um apanhado de percepções pessoais e coletivas. Não é verdade absoluta, mas acredito que pode ajudar.

Vale reforçar: certificações são caras, e é muito fácil gastar dinheiro em certs que não ampliam de verdade o conhecimento, mas que ainda assim trazem reconhecimento de mercado, o que, por si só, pode abrir portas e ajudar a conseguir um emprego. Saber equilibrar aprendizado real com credibilidade é essencial para não jogar dinheiro fora.

O mais importante: não acredite cegamente em certificados. Eles, sozinhos, não valem o seu tempo.

  • Certificado do Google de cyber? Não faça.
  • “Certificação” gratuita? Não faça.

Quando eu digo “Não faça”, não quero dizer que esses certificados sejam 100% inúteis ou inválidos. O problema é que acumular certificados superficiais traz duas consequências bem negativas:

  1. Conteúdo raso e repetitivo: na maior parte do tempo, é material abstrato, que dificilmente se traduz em prática real de trabalho, e que muitas vezes já estaria incluído em alguns módulos de um curso mais sério.

  2. Falsa sensação de progresso: talvez o ponto mais perigoso. Você se convence de que está avançando, mas, na prática, não está. Surge aquele pensamento: “porra, já fiz três certificados do Google, postei no LinkedIn, e nada mudou… deve ser o mercado que tá ruim”. Nosso cérebro adora recompensas rápidas, e empilhar certificações fluff só reforça a ilusão de produtividade, quando, na real, você está apenas gastando tempo. O foco precisa estar em algo real e aplicável.

Por fim, vale reforçar: certificações sérias exigem dedicação, prática e investimento. Pagar por uma certificação carrega um recado claro: “estou investindo em mim”. Um certificado do Google, por exemplo, dificilmente vai te garantir um emprego, no máximo pode te ajudar a construir alguma base, mas nada além disso.

Em resumo: não se engane com atalhos fáceis. Invista em algo que realmente faça diferença no seu aprendizado e no seu portfólio. Fico agoniado vendo gente querendo entrar na área e saindo por aí spammando certificado de nível básico como se isso fosse resolver alguma coisa. Tirar cinco certificações júnior não te torna menos júnior, sabe? You feel me?


Certificações equivalem a conhecimento?

Não. Certificações são só um meio para um fim, não substituem experiência e não deveriam ser tratadas como tal. O que realmente importa é a experiência prática adquirida durante a preparação, não o papel em si.

O verdadeiro valor de uma certificação está em oferecer uma base sólida, um caminho estruturado para aprender e se organizar. Mas, se tudo que você faz é copiar e colar comandos, isso não vai te transformar em profissional.

Se você ainda não tem experiência na indústria, existem outros jeitos de provar competência: pesquisa independente, writeups de boxes, desenvolvimento de projetos ou qualquer coisa que demonstre interesse real pela área. Certificação não é o único caminho, e se for sua única motivação para estudar, talvez valha repensar.


Vale a pena o tempo investido?

Depende. Vou abordar essa questão a partir do meu contexto: comecei como universitário em tempo integral e depois passei a conciliar um emprego CLT durante o dia com a faculdade à noite.

Na minha experiência, a maioria das certificações não exige um investimento absurdo de tempo no dia a dia. Mas isso não significa que é rápido. Ainda precisei dedicar muitas horas dos meus finais de semana e do pouco tempo livre que tinha.

No meu caso, além do antigo emprego, onde eu tinha liberdade pra estudar depois de concluir minhas tarefas (❤), a maior parte do tempo que investi nas certificações foi durante as aulas da faculdade (eu levava o notebook e conectava a VM na Wi-Fi; não estava ligando muito pro curso naquela época, fight me). Depois acabei trocando de curso e saí de engenharia pra cursar segurança da informação, mas essa é outra história.

Todas as certificações que tirei foram enquanto equilibrava trabalho e estudo. E, como mencionei antes, a flexibilidade no meu ambiente de trabalho foi essencial e facilitou demais o processo. Se você não tiver essa flexibilidade, as coisas podem ficar mais complicadas.

Também acho que isso varia bastante de pessoa pra pessoa. Alguém com boa bagagem técnica vai passar pela OSCP muuuuuuito (eu digo MUUUUUUUUITO) mais rápido do que alguém que comprou o curso esperando aprender tudo do zero.

Nota de atualização: um exemplo forte disso é meu melhor amigo e irmão pra vida toda (jaogler), que de tanto me ouvir falando sobre cybersec começou a fazer HTB por hobby, até que decidiu comprar o curso da OSCP e matou o material inteiro em pouco menos de um mês. Tá aí uma aplicação real de tudo que eu acabei de falar kk


Vale a pena o esforço?

Acredito que algumas certificações valem totalmente o esforço, mesmo que isso signifique sacrificar horas após o expediente ou finais de semana. O ponto principal é simples: existem certificações que você faz para aprender e certificações que você faz para ser reconhecido. Se vale a pena ou não, depende puramente do que você espera tirar da cert.

A OSCP está longe de ser um requisito para entrar na área. Porém, no cenário brasileiro atual, quem quer construir uma carreira séria em segurança ofensiva ainda encontra um caminho mais acessível com ela. É a forma mais direta de mostrar que você está, no mínimo, no nível júnior-pleno.

Dito isso, algo mudou e vale saber: desde novembro de 2024, quem passa no exame recebe duas credenciais, a OSCP (vitalícia) e a OSCP+ (válida por 3 anos, renovável via exame de recertificação, outra cert da OffSec ou o programa de CPE deles). Ou seja, o “+” é um modelo de recorrência. A OSCP em si continua vitalícia, então na prática muda pouco, mas é bom entrar sabendo que existe uma engrenagem de renovação ali.

Agora, se você está apenas começando e não tem uma pressa absurda para entrar no mercado já ganhando bem, minha dica é: priorize qualidade de aprendizado. Se você ainda nem entrou na área, não faz sentido mirar na OSCP agora. Esquece ela por enquanto.

Se a sua ideia é buscar uma certificação que traga reconhecimento de mercado e, ao mesmo tempo, prove que você realmente sabe o que está fazendo, aí sim eu recomendaria uma CPTS.


Vale a pena o dinheiro investido?

Ééééééééé… Depende™.

Acho válido separar as certificações em alguns grupos distintos:

Certificações de Aprendizado

São aquelas que realmente valem pelo conhecimento prático que oferecem.

  • CPTS: parte do Penetration Tester Path da HTB, só pode ser feita após concluir o path. O voucher do exame custa 210 USD e vem incluso nos planos anuais Silver e Gold da Academy. Continua sendo, na minha opinião, a melhor relação aprendizado/preço do mercado.
  • CWES (ex-CBBH): mesma lógica, atrelada ao path de Web Penetration Tester, voucher também a 210 USD.
  • CRTO e CRTE: continuam excelentes para quem quer entrar em Red Team de verdade.
  • CAPE (HTB Certified Active Directory Pentesting Expert): certificação nova de AD avançado, voucher a 350 USD, exige o Tier III (plano Gold). É uma alternativa interessante à CRTE se você já está no ecossistema HTB.

Dica que vale ouro para brasileiro: a Zero-Point Security (CRTO) aplica Purchasing Power Parity. O preço cheio do bundle curso + exame gira em torno de 539 USD, mas com o ajuste de PPP o valor cai bastante dependendo do país. Já vi relato de gente pagando por volta de 218 USD. Some a isso o acesso vitalício ao conteúdo e a política de retakes gratuitos, e a CRTO vira provavelmente a melhor compra de certificação disponível para quem está no Brasil. Confira o preço na sua conta antes de descartar por causa do valor de tabela.

Certificações de Clout

Servem principalmente pra colocar seu nome no radar dos recrutadores e “provar que você sabe pentestar”. Essa categoria me incomoda um pouco, não porque as certificações sejam ruins, mas porque são caras demais pelo que realmente entregam.

  • OSCP: o bundle PEN-200 (curso + 1 tentativa) sai por 1.749 USD, o exame avulso com 2 tentativas por 1.699 USD, e o Learn One anual por 2.749 USD. Retake avulso: 249 USD.

Coloca isso em reais por um segundo. Com o dólar na faixa dos R$ 5,10 (agosto de 2026), o bundle da OSCP bate em torno de R$ 9 mil depois do IOF e do spread do cartão, e isso parcelado numa fatura. A gente brinca que uma OSCP te compra pelo menos uma XRE lascadinha na OLX. É esse o número que você precisa ter na cabeça quando alguém te diz de forma leve que “é só tirar a OSCP”. O dólar oscila, então trate como ordem de grandeza e não como orçamento.

E aqui vale amarrar uma coisa que pode ter soado contraditória mais acima. Sim, eu disse que a OSCP é o caminho mais direto para provar nível júnior-pleno no Brasil. E sim, ela está listada aqui como clout. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, porque o que você está comprando é sinal, não conhecimento. Isso não é necessariamente um problema. Sinal vale dinheiro quando você precisa passar por um filtro de RH, quando o cliente exige cert em contrato, ou quando você não tem experiência formal e precisa de algo que o recrutador reconheça em dois segundos. O erro é comprar sinal achando que está comprando aprendizado, porque aí você paga caro pelas duas coisas e recebe só uma.

  • OSEP: fiz no ano passado, rumo ao OSCE3. Mesma faixa de preço da OSCP. O curso é muito bom, mas não vale o que cobram. Entra muito mais na categoria clout do que aprendizado.

Certificações… Meh?

Não é que sejam totalmente inúteis, mas sinceramente não sei se importam tanto assim para um pentester. Com a Security+, por exemplo, aprendi alguns conceitos basilares, mas tudo aquilo poderia ter sido estudado de graça ou com materiais muito mais acessíveis, e sem gastar quase mil reais. Aqui também entram certificações como a CEH (ofensivamente cara, não faça) e outras do mesmo estilo.

Fica o alerta: se você vê um youtuber com câmera bonitinha fazendo vídeo de divulgação com cupom de desconto na descrição, desconfie. Se você quer uma review real de qualquer certificação, procure na comunidade: posts no Medium, blogs independentes, fóruns, Discords, qualquer coisa que não seja apenas marketing. Só não entregue seu dinheiro confiando cegamente em quem recebe para te convencer.


Uma opção barata que vale menção

  • ProLabs da HTB: não são “certificações” no sentido formal, mas entregam conhecimento prático aplicado, e qualquer um minimamente inserido na área reconhece o valor. Mudou o modelo: hoje é uma assinatura de 49 USD/mês (ou 490 USD/ano) que libera todos os labs, em vez da compra individual de cada um. Se você conseguir fechar um ProLab em dois ou três meses, sai barato pelo que entrega. Se eu estiver encarregado de puxar um pentester júnior pro time e vejo ProLabs no currículo da pessoa, é quase certo que vou escolher ela.

E como eu consigo a primeira vaga?

A pergunta que todo mundo faz depois de “o que eu estudo” é “e aí, como eu entro”. A resposta honesta é que varia muito, e desconfie de quem te apresentar um passo a passo. Eu já contratei gente por CTF e já fui contratado por CTF. Já contratei por indicação e já fui contratado por indicação. Nenhum desses processos se pareceu com o outro, e nenhum deles teria funcionado se eu tivesse seguido uma fórmula.

O que dá pra tirar disso é menos uma receita e mais uma direção: os dois caminhos que funcionaram comigo dependiam de estar presente em algum lugar onde alguém pudesse te ver fazendo alguma coisa. Num CTF, num Discord, num writeup, numa conversa. É por isso que eu insisto tanto lá em cima em participar da comunidade. Não é papo motivacional, é literalmente por onde as portas apareceram.

O resto depende da empresa, do momento, do time, de sorte e de timing. Qualquer um que te venda certeza sobre isso está vendendo outra coisa.

V. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Aprender o básico é essencial. Mesmo. Não subestime isso. É praticamente impossível se aprofundar em algo que você nem entende o porquê de funcionar ou de quebrar. Ter domínio dos fundamentos te dá clareza, bagagem e confiança para avançar sem se perder.

O caminho, resumido:

  1. HackTheBox Academy, faça os paths Penetration Tester e Web Penetration Tester. Se você é estudante, são 8 USD/mês pelo melhor conteúdo básico disponível hoje.
  2. PortSwigger Labs, gratuito, direto ao ponto e a melhor forma de se aprofundar em web.
  3. HackTheBox Machines, para solidificar tudo com prática variada.

Sobre certificações: elas importam, mas não coloque o carro na frente dos bois. Primeiro o conhecimento bem aprendido, depois o papel que prova esse conhecimento. Invista em certs estratégicas e lembre que elas devem ser consequência de estudo sólido e prática consistente.

E depois da base? Os fundamentos continuam sendo 90% do jogo. Não adianta querer aprender nuvem ofensiva, evasão avançada ou exploit dev se você ainda se perde no terminal ou não entende direito como a rede funciona. Quando Linux, redes, HTTP e os dois paths acima estiverem realmente sólidos, aí sim escolha uma trilha para focar: Web/AppSec tem a maior demanda e conversa bem com bug bounty; RedOps tem menos vagas mas costuma pagar melhor, e é o caminho de CRTO e CRTE; e existem outras (mobile, exploit dev, cloud, e mais recentemente segurança ofensiva aplicada a IA, que virou uma trilha inteira no próprio HTB) que você vai descobrir naturalmente conforme se familiariza com o mercado.

Uma ressalva, e ela importa: tudo isso vale pra maior parte das pessoas, não pra todas. Se você for fodinha o suficiente, dá pra simplesmente grindar HackTheBox no pelo e desenrolar. Eu mesmo aprendi uns 30 a 40% dos meus conceitos de TI andando ao contrário na esteira: pegava um lab difícil, quebrava a cara nele, e só depois ia estudar os conceitos que estruturavam aquilo. Funcionou pra mim. Este texto é um apontamento generalista, então se você acha que isso não se aplica a você, beleza. Isso não se aplica a você.

Não tente correr antes de andar. Gaste tempo com os fundamentos, explore com calma e descubra o que realmente te interessa.

This post is licensed under CC BY 4.0 by the author.

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